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Redes de blockchain

 Blockchain: saiba o que é e porque ela mudou o mundo.

De tempos em tempos, a história nos mostra que alguns eventos muito pontuais são capazes de alterar drástica e definitivamente a maneira como a humanidade se relaciona. Assim foi com a descoberta do fogo, a revolução agrícola, a invenção da escrita, a popularização da internet… Agora, estamos novamente diante de algo sem precedentes.

A nova estrutura que a nossa sociedade de mercado está prestes a conhecer é inimaginável até para as mentes mais brilhantes. Isso porque o impacto dessa tecnologia revolucionária tem efeitos colaterais imensuráveis. Contudo, certamente podemos esperar uma dinâmica social muito menos burocrática, descentralizadora e tecnologicamente confiável.

Estamos falando da blockchain, um sistema de armazenamento de dados super veloz e praticamente inviolável. Sua relevância vem chamando cada vez mais atenção, especialmente com o crescimento surpreendente nos últimos anos das criptomoedas, como o Bitcoin.

Quer entender mais sobre essa inovação? Então, confira o conteúdo deste material e aprenda o que é blockchain, para que ela serve e por que essa tecnologia vai alterar significativamente nossa rotina nos próximos anos. Boa leitura!

1. O que é blockchain?

Blockchain (cadeia de blocos, em tradução livre) trata-se, essencialmente, de uma espécie de livro-caixa em que dados são registrados a partir de um sistema inteligente de armazenamento. Sua estrutura permite altíssimo nível de confiabilidade e segurança das informações registradas, de maneira que fraudar a estrutura é potencialmente impraticável.

Uma vez que se compreende o fundamento da tecnologia blockchain, suas múltiplas aplicações tornam-se imediatamente claras. Assim, diante das atuais condições socioeconômicas, corruptíveis e burocratizadas, esse conceito se mostra não menos que uma verdadeira revolução. Confira como tudo começou.

1.1 História

Desde o crash da bolsa de valores de Wall Street, em 1929, o mundo não assistia uma crise econômica global tão grave como a que se viu em setembro de 2008. Na ocasião, o FED (Federal Reserve, o Banco Central americano) recusou-se a socorrer o banco de investimentos Lehman Brothers. 

Com isso, a falência da instituição estourou uma bolha especulativa imobiliária que vinha acontecendo nos Estados Unidos, e uma sucessão de fatos provocou uma forte recessão mundial. Hoje, uma década depois, muitos países ainda sentem os efeitos negativos dessa catástrofe financeira.

Entretanto, paralelamente, uma solução para esse tipo de vulnerabilidade econômica estava sendo desenvolvida por um certo Satoshi Nakamoto, personagem até hoje desconhecido. Assim, em janeiro de 2009, foi lançado à público o sistema Bitcoin, inaugurando uma tecnologia revolucionária, à prova de manipulação e fraudes.

1.2 Fundamentos do Bitcoin

A proposta do Bitcoin era assegurar um sistema monetário confiável, descentralizado e altamente resistente a intervenções diretas. Só isso seria capaz de impedir a formação de bolhas financeiras a partir da interferência de governos por meio de políticas monetárias e injeção de divisas na economia. Contudo, a blockchain foi muito mais longe.

Mas, para ficar claro como tudo isso tem relevância, antes precisamos entender o atual sistema monetário mundial e por que ele é fundamentalmente insustentável. Sendo assim, pense por um instante: você sabe o que é dinheiro?

O que é dinheiro

Apesar de soar estranho, poucas pessoas realmente têm a noção clara do que se trata o dinheiro. Estamos tão acostumados a trabalhar, receber valores de papel-moeda e usarmos isso para comprar produtos, que sequer percebemos que o próprio papel-moeda é, em si mesmo, um produto.

A principal diferença entre o dinheiro como produto e um celular, uma cadeira ou um saco de arroz é que o dinheiro é extremamente liquidável. Isso significa que é muito mais fácil trocar dinheiro por alguma coisa do que qualquer outro produto. Portanto, um produto precisa atender a pelo menos 3 condições para ser considerado dinheiro:

  • Ser altamente liquidável — o dinheiro precisa ser um meio de troca aceito por muitas pessoas;
  • Ser uma unidade de valor — o dinheiro deve ser um instrumento por meio do qual outros produtos são cotados;
  • Ser uma reserva de valor — característica que assegura o poder de compra do dinheiro com o passar do tempo, o que permite medir a riqueza.

Moeda fiduciária

Agora, você já parou para pensar por que justamente o papel-moeda é o dinheiro do mundo? Em outras palavras, por que o padeiro aceita com tanta facilidade o real em troca do pão, ou você, em troca dos seus serviços? O que há no real de tão valioso para o brasileiro? A fé.

O fato é que todo brasileiro aceita o real como meio de troca porque todo brasileiro confia nesse sistema monetário. Ou seja, o valor do real é a confiança que o mercado tem na moeda. É aí onde mora o problema: não há absolutamente mais nada sustentando o valor desse dinheiro.

Essa é a condição de todas as moedas fiduciárias do mundo. A qualquer momento, seus governos podem adotar uma nova política monetária e colocar suas máquinas para imprimir mais dinheiro. Isso afeta diretamente o próprio valor da moeda, o que causa efeitos frequentemente negativos no preço dos produtos, gerando inflação e crises financeiras.

Moeda lastreada

O mesmo não pode acontecer com uma moeda cujo valor está atrelado a um ativo escasso, como o ouro ou a prata. Afinal, governo nenhum pode criar mais ouro, de maneira que o valor do metal, enquanto dinheiro, está baseado exclusivamente na lei de oferta e procura.

Contudo, evidentemente, adotar um sistema monetário com base em metais preciosos não apenas limita o controle dos governos sobre suas economias como torna inviável a manipulação física do dinheiro. 

Isso porque há um custo relativo ao próprio estoque dos recursos, bem como à fragmentação do metal em unidades menores. Assim, para um cenário como esse, o Bitcoin oferece soluções simplesmente brilhantes. Confira a seguir!

Bitcoin e blockchain

Embora o Bitcoin não esteja atrelado a nenhum metal precioso, sua base de valor também é escassa, portanto, trata-se de uma moeda digital, e não fiduciária. Portanto seu preço vem exclusivamente da demanda de compra e venda. Em outras palavras, não há nenhum Banco Central imprimindo Bitcoins, o que faz do sistema uma estrutura livre de interferências diretas. Mas, então, de onde vêm os Bitcoins?

Hoje, os Bitcoins são criados pelo próprio sistema como recompensa aos agentes que “encontram” os blocos da blockchain. Esses agentes são chamados de mineradores, e sua função é registrar as transações em um novo bloco a cada 10 minutos, aproximadamente. 

Porém, há o limite de 21 milhões de Bitcoins para todo o sistema. Assim, quando esse número for alcançado, toda a rede será operada com esse — e apenas esse — suprimento de moedas. Desse modo, a recompensa aos mineradores por encontrarem novos blocos será exclusivamente as taxas de mineração, que poderão ser pagas em qualquer transação.

O que o Bitcoin tem de tão especial? Principalmente, a blockchain garantindo a credibilidade das operações. Além disso:

  • Uma unidade de Bitcoin é fracionável em até um centésimo de milionésimo, podendo ser dividido em unidades ainda menores se necessário;
  • Sua manipulação é extremamente simples e versátil, sem o menor custo de armazenamento;
  • Transações de Bitcoin acontecem em uma rede peer-to-peer, isto é, sem intermediários e de maneira muito rápida;
  • Bitcoin garante certo nível de privacidade.

2. Como uma transação é registrada em blockchain?

Como o verdadeiro protagonista dessa tecnologia não é o Bitcoin, e sim a blockchain, vamos entender agora como uma transação é registrada em um bloco. Assim, leve em conta que a cadeia de blocos é, como dissemos, como que um livro contábil de registros. Temos na blockchain, portanto, toda a história de seu sistema, a partir do primeiro bloco.

2.1 Sistema de chaves criptografadas

O primeiro bloco de Bitcoin foi minerado possivelmente pelo misterioso Satoshi Nakamoto no dia 3 de janeiro de 2009. Esse ficou conhecido como “Bloco Gênesis” e tudo o que ele registra é a recompensa de 50 Bitcoins ao próprio Nakamoto pela mineração do bloco.

Apenas no dia 12 do mesmo mês, um bloco registrou o envio de 10 Bitcoins de Nakamoto a Hal Finney, um desenvolvedor que contribuiu para a criação do sistema. Para isso acontecer e ter sido registrado, foi necessário um par de chaves criptografadas:

  • Chave-pública: servindo como um endereço eletrônico, a chave-pública pode ser disseminada na rede e é por meio dela que alguém recebe transações de Bitcoins;
  • Chave-privada: a chave-privada é secreta, e apenas o dono da carteira de criptomoedas deve detê-la. Essa chave está associada à chave-pública e é por ela que alguém tem acesso aos Bitcoins de sua carteira para enviá-los às chaves públicas que quiser.

2.2 Prova de trabalho e confirmação da rede

Uma vez que alguém utiliza sua chave-privada para enviar Bitcoins a uma chave-pública, é o registro dessa informação no bloco que valida a transação. Sendo assim, é necessário que haja um minerador realizando a tarefa de encontrar blocos válidos para registro das informações.

Minerar um bloco, nesse caso, significa realizar uma prova de trabalho que exige considerável poder computacional (basicamente, uma operação matemática dificílima). Só assim o sistema compreende o “esforço” para garantir a confiabilidade da cadeia de blocos.

No entanto, o bloco só é adicionado à cadeia quando uma maioria simples da rede (50% + 1) confirma a prova de trabalho. Caso contrário, o bloco é descartado, e uma nova prova de trabalho deve ser realizada. Assim, cada bloco contém harmoniosamente sua prova e as provas de trabalho de todos os blocos da cadeia.

3. A blockchain é específica para criptomoedas?

Apesar de a blockchain ainda ser fortemente associada às criptomoedas por causa do Bitcoin, seu propósito fundamental é o armazenamento de informações digitais em cadeias de blocos criptografados.

Portanto, em qualquer cenário que haja a necessidade de velocidade e confiabilidade para registro de dados, existe aplicabilidade para um sistema de blockchain. Confira a seguir algumas situações em que a tecnologia pode ser utilizada.

3.1 Comprovantes

Podemos dizer que a necessidade de comprovação de informações é o que dá base para o próprio sistema Bitcoin. Assim, qualquer outro cenário em que seja importante haver registros que comprovem eventos pode ser otimizado pelo sistema de blockchain. Dessa maneira, a blockchain é útil para:

  • Comprovantes fiscais;
  • Certificados digitais;
  • Registros de compra e venda;
  • Comprovantes eleitorais.

3.2 Contratos inteligentes

Outra aplicação especialmente relevante para um sistema de blockchain são os contratos inteligentes (smart contracts). A partir deles, acordos auto-executáveis podem ser formalizados em blockchain entre partes anônimas, estimulando o livre mercado. Assim é possível:

  • Firmar acordos de negociações;
  • Executar ordens judiciais sem intermediários jurídicos;
  • Estabelecer relações comerciais multilaterais de maneira prática.

3.3 Certidões digitais

No dia 8 de julho de 2019 nasceu, no Rio de Janeiro, Álvaro de Medeiros Mendonça, um dos primeiros bebês brasileiros registrados completamente em blockchain. A IBM, parceira responsável pelo projeto, confirmou o registro, que tem valor legal. Isso demonstra o grande potencial da blockchain para todo tipo de certidão digital, como:

  • Certidão de nascimento;
  • Certidão de casamento;
  • Certidão de divórcio;
  • Certidão de propriedade.

4. Afinal, a blockchain é realmente segura?

4.1 Código aberto

A melhor maneira de confirmar a segurança da blockchain é estudando o seu código-fonte. Isso porque os sistemas de blockchain têm código aberto e podem ser avaliados por qualquer pessoa que tenha competência para interpretar a linguagem de programação do sistema. No entanto, sua formalização pública também é muito esclarecedora. Vale a pena conferir!

4.2 Matemática pura

Assim, é possível verificar que o grande fator de segurança está em um sistema regido por padrões matemáticos puros. Aliás, a tecnologia blockchain trata-se do primeiro sistema de registro de informações realmente livre de falhas humanas e potencialmente invulnerável a fraudes.

4.3 Corrupção impraticável

Suponha, porém, que alguém muito mal intencionado queira avidamente fraudar o sistema. Nesse caso, considere o que você aprendeu sobre o processo de validação dos blocos, em que a cadeia só continua após a confirmação de uma maioria simples da rede.

Nesse caso, se levarmos em conta que, hoje, apenas a rede do Bitcoin já consome mais energia elétrica do que a Suíça, o custo operacional para fraudar um único bloco superaria vergonhosamente qualquer resultado de uma violação.

4.4 Respaldo de grandes instituições

Agora, se ainda faltarem maiores evidências do potencial revolucionário dessa nova tecnologia, deve ser suficiente dizer que centenas de grandes instituições têm adotado a tecnologia com muito entusiasmo.

Além das gigantes Google, IBM, Microsoft e dezenas de grandes bancos, o Facebook demonstrou sua simpatia à tecnologia ao anunciar a adoção de um plano de lançamento da sua própria moeda criptografada em blockchain. A Libra deve ser lançada no primeiro semestre de 2020 e, com certeza, trará impactos significativos ao mercado.

Não restam dúvidas: a blockchain em breve deve transformar nossas vidas de maneira inimaginável. Embora a presença da tecnologia no sistema financeiro ameace a soberania dos estados, muitos governos têm visto o conceito com bons olhos. O próprio Banco Central já investiga meios de adotar a solução para problemas de comunicação interna.

Finalmente, vale destacar que há diversas tecnologias com o mesmo conceito, de maneira que, para cada propósito, há sistemas que adotam critérios diferentes para a construção da cadeia de blocos. Sendo assim, é importante compreender como cada tecnologia propõe suas próprias soluções. Em todo caso, sendo blockchain, já sabemos que é revolucionário!

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